22.8.03
Literatura e violência
A revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, da Universidade de Brasília, está aceitando, até o dia 15 de setembro, artigos para o número 22, a ser lançado até o final de 2003. O número publicará um dossiê sobre o tema Violência e literatura. Também serão aceitos artigos para a seção livre e resenhas. Todos os textos serão encaminhados a pareceristas, mantido o anonimato mútuo. Os textos devem ser enviados em duas cópias impressas (uma delas sem identificação de autoria) e disquete, incluindo um resumo de até 10 linhas e três palavras-chave, para o endereço abaixo:
Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea
A/C Profª Regina Dalcastagnè
Depto. de Teoria Literária e Literaturas
Universidade de Brasília
ICC Ala B, Centro, Sobreloja, sala B1-305
Campus Universitário "Darcy Ribeiro"
70919-970 - Brasília - DF
Geração dos 90
Interessante, o artigo de José Castello, publicado hoje no Valor Econômico. Dá um panorama bem amplo sobre as discussões que acontecem em torno da idéia de existir - ou não - uma geração de escritores cujas características de estilo, de comportamento social e de compromisso cultural seriam semelhantes. Fico com a afirmação de Joca Reiners Terron: "Numa certa medida, criamos nichos até mesmo antes de nossa literatura existir."
Rodrigo Gurgel às 08:22 -
20.8.03
Haroldo de Campos e Cabrera Infante
Recebo, na newsletter da editora Aeroplano, o texto lido em homenagem a Haroldo de Campos na PUC-SP, em 4 de outubro de 1996, pelo escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, vencedor do Prêmio Cervantes 1997. Vejam o primeiro parágrafo: Haroldo de Campos chegou pela primeira vez a minha casa da Gloucester Road e a transformou em Glowster Road: a rua que fulgia, refulgia com seu resplendor. À primeira vista era alto, gordo, barbudo como uma versão de algum Papai Noel do sul. Sua língua era lusa, ilustre, lúdica. Conversamos. Melhor dizendo, ele conversou, com seu tonitruante espanhol perfeito, mas com um certo sotaque, uma entonação brasileira que o tornava encantador, encantatório.
Em certo momento, Cabrera Infante cita Haroldo: Um best-seller não tem sentido para mim, se estamos falando de literatura. Nem Cervantes nem Joyce nem Machado foram best-sellers, mas eles são a literatura.
Rodrigo Gurgel às 00:21 -
19.8.03
Flash mob: o virtual fecunda o real
Há muito preconceito nas manifestações da mídia - e, infelizmente, em alguns blogs - sobre o fenômeno dos Flash mobs. Como sempre, os dinossauros conservadores - para os quais o limite da vida é apenas o ponto que suas mãos conseguem alcançar - não entendem (e não se esforçam para entender) o inusitado, o novo, o extraordinário. Em um Flash mob, por um momento o virtual fecunda o real e a Internet semeia o caos para extrair dele uma nova ordem. Anarquia em seu estado mais puro, o Flash mob é a prova de que a Internet guarda potencialidades inimagináveis. Participantes de um Flash mob não são "rebeldes sem causa", mas, ao contrário, como diz Howard Rheingold, estamos, dentre muitas outras coisas, "aprendendo como usar a Internet e a comunicação móvel para organizar ações coletivas". O desafio é não deixar esse poder cair nas mãos das grandes corporações ou dos partidos políticos.
Rodrigo Gurgel às 09:44 -
18.8.03
Flash mob: uma nova fissura
Acabo de publicar um artigo analisando o fenômeno do Flash mob. Vejam um trecho: Quando a banalização se torna a regra e cada uma das atitudes humanas está prevista na programação da Matrix, então a melhor rebeldia é o culto ao anômalo, não como sombras ou espectros que repetem os mesmos slogans ou gritos de guerra, mas como seres capazes de conceder ao extraordinário um caráter de festa.
Concurso
Estão abertas as inscrições ao Concurso de Narrativas Breves Haroldo Maranhão. Detalhes e inscrições com Meg Guimarães, a idealizadora. Um ótima e deliciosa idéia!
Rodrigo Gurgel às 12:17 -
17.8.03
Luto
O Brasil deveria vestir-se de preto hoje. Recolher-se à intimidade silenciosa e reflexiva. Estamos menores desde ontem. A língua portuguesa está menor, a nação brasileira, a poesia universal e cada um de nós, fechados em nossos mesquinhos universos. Os sinos dobram por nós, enquanto alguém leva em suas mãos as cinzas do poeta Haroldo de Campos. Tradutor, mestre, ensaísta, diplomata não-oficial da cultura brasileira; mas, acima de tudo, inigualável poeta.
Rodrigo Gurgel às 11:03 -
15.8.03
A revolução começa com palavras
Um curto - mas extremamente intenso - texto, assinado por Rossana Fischer, merece nossa leitura atenta. Ele é a prova de que a revolução não morre nunca, mas, ao contrário, se desencadeia - como um átomo que se iluminasse mais do que outros - a cada palavra que escrevemos e que esteja imbuída de um sincero desejo de mudança: All letters we are belong to them. Rossana, para quem não sabe, assina o delicioso blog Wumanity wide world.
Livre expressão
O Livre expressão, de Cris Fernandes, está de visual novo: leve, claro, franco - como a própria Cris.
Rodrigo Gurgel às 11:38 -
8.8.03
Semana Euclidiana
Entre 9 e 15 de agosto realiza-se, anualmente, a Semana Euclidiana, em São José do Rio Pardo - SP. Neste ano, os organizadores promoverão uma justa homenagem ao professor Roberto Ventura, falecido no ano passado. O tema da Semana será a recepção crítica de Os Sertões e o principal debate ocorrerá no dia 11, às 15 h 30 m, com uma mesa-redonda que reunirá os professores Leopoldo Bernucci (USP) e Francisco Foot Hardman (UNICAMP). Confira toda a programação.
Estante virtual
O acesso a livros raros e/ou esgotados é um dos inúmeros serviços que a internet, com extrema eficácia, tem possibilitado aos seus usuários. Duas experiências recentes merecem divulgação: a disponibilização de livros raros pela Biblioteca Mário de Andrade (São Paulo) e a divulgação de obras esgotadas produzidas pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Rodrigo Gurgel às 09:40 -
6.8.03
Amor aos livros
Duas editoras brasileiras têm prestado um inestimável serviço à bibliofilia. Com suas coleções voltadas a temas que se relacionam especificamente ao universo dos livros, a Casa da Palavra e a Ateliê têm demonstrado um compromisso de amor e dedicação ao produto que fazem e, principalmente, ao livro enquanto objeto de prazer, de difusão cultural e de preservação da experiência humana. Em sua coleção "Bibliofilia" a Casa da Palavra oferece, inclusive, saborosos livros infantis, capazes de introduzir as crianças no universo sempre surpreendente dos livros. A Ateliê, com sua coleção "Artes do Livro", iniciada há pouco, acabou de lançar o terceiro volume da série, A arte invisível, escrito pelo renomado editor Plínio Martins Filho.
Rodrigo Gurgel às 10:44 -
4.8.03
São Paulo-Babilônia
Há alguns dias publiquei uma nova crônica sobre a cidade de São Paulo. Vejam um trecho: Minha São Paulo é um vitral de desenhos inesperados e formas lúbricas, de onde a luxúria emerge a cada noite na forma de uma promessa de prazer jamais encontrado. Minha São Paulo-Babilônia empreende uma busca que nunca se satisfaz, cujo gozo paira à sua frente como uma coluna de luz que, à proximidade do toque, se desintegra.
Para os que quiserem ler na íntegra, basta clicar aqui.
Rodrigo Gurgel às 18:00 -
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