31.7.03
A vida do escritor
De W. Somerset Maugham, em O destino de um homem:
"É uma vida cheia de contratempos. Para começar, ele deve sofrer a pobreza e a indiferença do mundo; depois, tendo conquistado uma parcela de sucesso, tem de se submeter sem protesto aos seus riscos. Depende de um público inconstante. Está à mercê de jornalistas que querem entrevistá-lo; de fotógrafos que querem tirar-lhe o retrato; de diretores de revistas que o atormentam pedindo matéria, de cobradores de impostos que atormentam por causa do imposto sobre a renda; de pessoas gradas que o convidam para almoçar; de secretários de instituições que o convidam para fazer conferências; de mulheres que o querem para marido e de mulheres que querem divorciar-se dele; de jovens que lhe pedem autógrafo; de atores que desejam papéis e estranhos que querem um empréstimo; de senhoras sentimentais que lhe solicitam a opinião sobre assuntos matrimoniais; de rapazes graves que querem opinião sobre suas composições; de agentes, editores, empresários, chatos, admiradores, críticos, e da própria consciência. Mas existe uma compensação. Sempre que tiver alguma coisa no espírito, seja uma reflexão torturante, a dor pela morte de um amigo, o amor não correspondido, o orgulho ferido, o ressentimento pela falsidade de alguém que lhe devia ser grato, enfim, qualquer emoção ou qualquer idéia obcecante, basta-lhe reduzi-la a preto-e-branco, usando-a como assunto de uma história ou enfeite de um ensaio, para esquecê-la de todo. Ele é o único homem livre."
Rodrigo Gurgel às 10:23 -
28.7.03
Artaud e Van Gogh
Meu texto mais recente foi uma resenha - Dois iluminados no inferno da existência - sobre o livro Van Gogh - o suicida da sociedade (José Olympio Editora). Vejam um trecho: (...) No caso específico de Van Gogh, corpo e obra, vida e arte, formam um único ser absolutamente indivisível. O diretor de cinema Akira Kurosawa percebeu bem essa qualidade vangoghiana; e, não por acaso, em Sonhos, faz o caminhante penetrar a plasticidade das pinturas de Van Gogh, ultrapassar a condição de espectador da obra e tornar-se parte dela, experimentando-a em toda a sua furiosa e sensual intensidade.
Rodrigo Gurgel às 21:12 -
26.7.03
Alberto Pimenta
Os editores Fábio Weintraub e Tarso de Melo, das revistas Rodapé e Cacto, abriram uma lista de subscrições com o intuito de financiar a publicação, no Brasil, de um dos maiores nomes da literatura portuguesa contemporânea, Alberto Pimenta. O livro escolhido é a antologia A encomenda do silêncio, organizada pelo poeta e ensaísta Pádua Fernandes.
Os que desejarem participar das subscrições, devem entrar em contato com os editores pelos e-mails: fweintraub@uol.com.br e tarsodemelo@hotmail.com.
Para os que não conhecem a obra do poeta, eis um trecho de A visita do Papa, de 1981:
Enquanto o papa não chega
Todos dão a sua achega
POR EXEMPLO:
As autoridades convencem com os dentes.
Os deputados erguem as nádegas
para lhes serem metidas moedas na ranhura.
Os investidores apostam na sementeira
de guardas-republicanos.
Os magistrados justificam o uso
da força com a força do uso.
Os militares apoiam a democracia em geral
e o cão-polícia em particular.
Os tecnocratas correm o fecho-éclair
para fazer luz sobre o assunto.
Os psiquiatras metem o dedo no olho
do cliente para lhe aprofundar os desvios.
Os mestres ensinam os cães particulares
a defecar nos passeios públicos.
Os escritores erguem a voz acima de todas para
dizer que todas as vozes se devem fazer ouvir.
Os funcionários públicos zelam por que tudo
o que não é proibido seja obrigatório.
Os sacerdotes encaminham a alma
para o sétimo céu.
Os internados no manicómio recebem
coleiras novas com o número fiscal.
Os jornalistas dão peidos que abalam a
qualidade de vida da cidade.
O povo digere tudo porque tem
dentes até ao cu.
Os polícias de choque referem-se
às conquistas de abril.
Os anjos da guarda interceptam os
pacotes com as bombas e explodem.
[...]
Rodrigo Gurgel às 11:30 -
18.7.03
Palestina censurada
A exposição de fotos Palestina, de um mundo a outro, censurada, em maio deste ano, pela prefeitura de Lille, na França, pode ser, agora, detalhadamentre apreciada. Essa é, certamente, uma das riquezas da internet, que devemos preservar a qualquer preço: a inexistência de qualquer censura. Quanto às fotos, elas falam por si mesmas.
Rodrigo Gurgel às 11:49 -
11.7.03
Quatro jovens generosos
Um novo site de literatura promete boas surpresas à inteligência do ciberespaço. O Crivo Generoso mal começou e já merece a nossa atenção. Dentre os diversos conteúdos, li com prazer o artigo de Ana Carolina Custódio, Hermetismo encilhado, no qual ela comenta sobre as revistas literárias brasileiras. Vejam um dos melhores trechos: Demorei a admitir que esse outro lado, o impresso, é que era obscuro e restritivo, alheio em sua tribo, anestesiado das necessidades do resto da população tupiniquim que gostaria muito de saber também e ser feliz. Uma população inteira de jovens que, mal iniciada uma vida acadêmica, tem que arregaçar as mangas e trabalhar suas oito horas diárias atrás de qualquer balcão para pagar a faculdade, porque as públicas desrespeitam o estudante que trabalha, com seus horários impossíveis. Demorei a perceber que a boçalidade intelectual existia e era assumidamente hermética, inflada, burguesinha, enaltecida. Corajosa a menina, não é?
Rodrigo Gurgel às 00:09 -
8.7.03
Congressos para se discutir sobre a leitura no Brasil
Entre 22 e 25 de julho próximos acontecerão o 14º Congresso de Leitura do Brasil e o 2º Congresso de História do Livro e da Leitura no Brasil. Local: Instituto de Estudos da Linguagem (Universidade de Campinas - SP). Todas as informações sobre os eventos podem ser encontradas no site do 14º Congresso. Para os organizadores, "não se pensa possível, hoje, a democracia sem letramento, sem circulação de informação. Não se imagina a justiça sem as letras. Saber e poder ler e escrever é uma condição tão básica de participação na vida econômica, cultural e política que a escola se tornou um direito fundamental do ser humano, assim como a saúde, moradia e emprego."
Eventos fundamentais, sem qualquer dúvida.
Rodrigo Gurgel às 18:05 -
3.7.03
Novos textos
Nos últimos dias publiquei mais dois trabalhos. Uma resenha sobre o livro Diálogo entre um padre e um moribundo, do inigualável marquês de Sade. E um artigo comentando o comportamento ético da Editora da Universidade do Sagrado Coração (Edusc) e a importância desse ato para o mercado editorial brasileiro.
Rodrigo Gurgel às 09:15 -
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