Crônica Literária

   31.3.03  

Desobediência civil e internet


Em meu último artigo comento sobre a importância de, neste momento, criarmos uma rede de resistência e pacifismo, ancorada na internet e preparada para agir nas ruas. Meu texto pode ser lido nos seguintes sites: Novae, La Insignia, Resistir, Rebelión, Alainet e Adital.
 
Rodrigo Gurgel às 02:21 -


   29.3.03  

Hoje, no Página 12


O diário argentino Página 12 traz um ótimo artigo de Pasquini Durán, analisando o fundamentalismo religioso disseminado no imaginário popular dos norte-americanos. Eis um trecho:

"Encuestas del semanario Newsweek revelaron que el 45 por ciento de los norteamericanos piensa que el fin del mundo sobrevendrá con la batalla de Armagedón, exactamente como se describe en la Biblia, y el 47 por ciento de los entrevistados cree que el Anticristo está ya presente en el planeta, mientras que otro 45 por ciento espera ver el retorno del Mesías antes de morir (En Prophecy: What the Bible Says About the End of the World, 1/11/1998.) Hace pocos meses, el 1/7/02, el semanario Time dedicó su portada al mismo tema: The Bible and the Apocalypse. Why more Americans are Reading and Talking About the End of the World."


41% dos estudantes não terminam o ensino fundamental


De cada grupo de cem alunos que ingressam na primeira série do ensino fundamental, 59 conseguem terminar a 8ª série desse nível de escolarização e os outros 41 param de estudar no meio do caminho. Para aqueles que entraram no ensino médio, a expectativa de conclusão é maior: 74% conseguem terminá-lo. Os estudantes que concluem, sem interrupção, essas etapas educacionais levam, em média, de 10,2 anos para completar as oito séries do ensino fundamental e 3,7 anos para passar pelas três séries do ensino médio.
A análise completa está em Cidadania na internet.


Governança na internet


Nos dias 25 e 26 de fevereiro, foi realizado o Seminário "Governança da Internet no Brasil", promovido pela RITS em conjunto com o Instituto Florestan Fernandes, a Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais) e a Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), com o apoio do Comitê Gestor da Internet Brasileira e da RNP. O mote do encontro era repensar o modelo de gestão da Internet no país, já que o atual é motivo de críticas - principalmente pela falta de transparência em sua atuação e no uso dos recursos arrecadados com o registro de domínios ".br".
Veja mais detalhes aqui.


Los vidrios rotos del periodismo


Crítica contundente ao jornalismo: essa pode ser uma definição resumida do site Punto.txt, escrito por jornalistas argentinos. Imperdível.


Frutos de Portugal


Li e gostei. O blog português Memória Inventada merece leitura diária.


Poesia sem truques


Os poemas de Fábio Rocha estão , aguardando leitores abertos ao novo.


Poesia contra a guerra


Dolor de Arabia

Joaquín Sabina

Mierda de gato al coronel que mata
guante de seda al que discurso muda,
toque de queda al culo de culata,
puente de plata al desertor que duda.

Palo de ciego al tuerto que no mira,
beso de novia al casi muerto vivo,
vino de misa de uvas de la ira,
monte de venus en desierto altivo.

Pan luego nutre más que sangre pronto,
sopa de letras para el hijo tonto,
alma en armario para el desalmado.

Dolor de Arabia, canto de sirenas,
gas lacrimógeno para las hienas
tiro desgracia para el desgraciado.
 
Rodrigo Gurgel às 17:38 -


   27.3.03  

Poesia contra a guerra


Em plena Guerra Civil Espanhola, o poeta Rafael Alberti escreveu as linhas que coloco abaixo. Mais um libelo da humanidade contra a violência. Linhas que revelam como o ódio e a mesquinhez podem matar, inclusive, as palavras:

Nocturno

Rafael Alberti
Madrid, 1937

Cuando tanto se sufre sin sueño y por la sangre
se escucha que transita solamente la rabia,
que en los tuétanos tiembla despabilado el odio
y en las médulas arde continua la venganza,
las palabras entonces no sirven: son palabras.

Balas. Balas.

Manifiestos, artículos, comentarios, discursos,
humaredas perdidas, neblinas estampadas.
¡qué dolor de papeles que ha de barrer el viento,
qué tristeza de tinta que ha de borrar el agua!

Balas. Balas.

Ahora sufro lo pobre, lo mezquino, lo triste,
lo desgraciado y muerto que tiene una garganta
cuando desde el abismo de su idioma quisiera
gritar lo que no puede por imposible, y calla.

Balas. Balas.

Siento esta noche heridas de muerte las palabras.
 
Rodrigo Gurgel às 12:12 -


   24.3.03  

Informação e crítica


Informação independente e análise da realidade com agudo senso crítico:

 
   22.3.03  

Bloqueio das embaixadas dos EUA


Os EUA agridem a um povo desarmado e desprezam a ONU. Nós, cidadãos do mundo, decidimos impedir as entradas e saídas das embaixadas e consulados dos EUA em todo o mundo, até que parem os bombardeios.

Clique no selo abaixo e veja como se organizar:

   

Contra a guerra


José Saramago
(Intervenção do escritor na manifestação contra a guerra, ontem, em Madri)

Eles acreditavam que nós tínhamos nos cansado de protestar e que havíamos lhes deixado livres para seguir na sua alucinada carreira pela guerra. Eles se enganaram. Nós, os que hoje estamos nos manifestando, aqui e em todo o mundo, somos como aquela pequena mosca que, obstinadamente, volta uma e outra vez a fincar seu ferrão nas partes sensíveis da besta. Somos, em palavras populares, claros e precisos, para que entendam melhor, a mosca do poder.

Eles querem a guerra, mas nós não vamos deixá-los em paz. Nosso compromisso, ponderado nas consciências e proclamado nas ruas, não lhes fará perder vigência e autoridade (nós também temos autoridade), nem a primeira bomba nem a última que venha a cair sobre o Iraque.

Não achem, os senhores e as senhoras do poder, que nos manifestamos para salvar a vida e o regime de Saddam Hussein. Eles mentem com todos os dentes que têm na boca. Nós nos manifestamos, isso sim, pelo direito e pela justiça. Nós nos manifestamos contra a lei da selva que os Estados Unidos e seus aliados antigos e modernos querem impor ao mundo. Nós nos manifestamos pela vontade de paz, de gente honesta e contra os caprichos belicistas de políticos ambiciosos e o que lhes falta em inteligência e sensibilidade. Nós nos manifestamos contra o concubinato dos Estados com os superpoderes econômicos de todo o tipo que governam o mundo. A Terra pertence a todos os povos que a habitam, não àqueles que, com o pretexto de uma representação democrática e descaradamente pervertida, afinal, lhes exploram, manipulam e enganam. Nós nos manifestamos para salvar a democracia em perigo.

Até agora, a humanidade tem sido sempre educada para a guerra, nunca para a paz. Constantemente nos aturdem as orelhas com a afirmação de que, se queremos a paz amanhã, não teremos mais remédio a não ser fazer a guerra hoje. Não somos tão ingênuos para acreditar em uma paz eterna e universal, mas, se os seres humanos têm sido capazes de criar, ao longo da história, belezas e maravilhas que nos dignificam e engrandecem, então é tempo de botar a mão na mais maravilhosa e charmosa de todas as tarefas: a incessante construção da paz. Mas que essa paz seja a paz da dignidade e do respeito humano, não a paz de uma submissão e de uma humilhação que diversas vezes vêm disfarçadas com máscaras de uma falsa amizade protetora.

Já é hora de as razões da força deixarem de prevalecer sobre a força da razão. Já é hora do espírito positivo da humanidade que somos dedicar-se, de uma vez, a sanar as inúmeras misérias do mundo. Essa é sua vocação e sua promessa: não pactuar com supostos ou autênticos "eixos do mal".

Bush, Blair e Aznar estavam falando sobre o divino e sobre o desumano, seguros e tranqüilos em seu papel de poderosos feiticeiros, especialistas em truques e conhecedores eméritos de todas as propagandas enganosas e de falsidade sistemática, quando, um despacho oval, onde se encontravam reunidos, informou a terrível notícia de que os EUA haviam deixado de ser a única grande potência mundial. Antes que Bush pudesse pôr a primeira carta na mesa, o vosso presidente, José María Aznar, foi rapidamente declarar que essa nova grande potência não era a Espanha: "Te juro, George", disse. "Meu Reino Unido também não", completou rapidamente Blair, para cortar a nascente suspeita de Bush. "Se não é tu, nem tu, quem é, então?", perguntou Bush. Foi Colin Powell, mal acreditando no que estava pronunciando sua própria boca, quem disse: "A opinião pública, senhor presidente".

Já devem ter compreendido que esta historinha é uma simples invenção minha. Peço, portanto, que não lhe dêem importância. Mas que atentem ao que já é uma evidência para todos, a mais exaltadora e feliz evidência destes conturbados tempos: os encantamentos de Bush, Blair e Aznar, sem querer, sem propô-lo, por suas más ações e piores intenções, têm feito surgir, espontaneamente, um gigantesco, um imenso movimento de opinião pública, um novo grito de "Não passarão", que com as palavras "Não à guerra" corre mundo.

Não há nenhum exagero em dizer que a opinião pública mundial contra a guerra se converteu em uma potência com a qual o poder tem que contar. Nós enfrentamos deliberadamente aos que querem a guerra. Dizemos: "Não". E se ainda assim seguem empenhados em seu demente afã e desencadeiam, uma vez mais, os cavalos do apocalipse, então lhes avisamos desde agora que esta manifestação não é a última, que continuaremos os protestos durante todo o tempo que dure a guerra, inclusive mais adiante, porque, a partir de hoje, já não se tratará simplesmente de dizer "Não a guerra". Trata-se de lutar todos os dias e em todas as instâncias para que a paz seja uma realidade, para que a paz deixe de ser manipulada como uma realidade, para que a paz deixe de ser manipulada como um elemento de chantagem emocional e sentimental com que se pretende justificar guerras. Sem paz, sem uma paz autêntica, justa e respeitosa, não haverá direitos humanos. E sem direitos humanos, todos eles, um a um, a democracia nunca será mais do que um sarcasmo, uma ofensa à razão.

Nós que estamos aqui somos uma parte da nova potência mundial. Assumimos nossas responsabilidades. Vamos lutar com o coração e o cérebro, com a vontade e a ilusão. Sabemos que os seres humanos são capazes do melhor e do pior. Eles (não preciso agora dizer seus nomes) escolheram o pior. Nós escolhemos o melhor!
 
   21.3.03  

Carta por la paz


Ernesto Sábato

Queridos chicos:

Ustedes saben, han tenido que aprender cómo el poder gana, cómo los hombres matan por poder.

Han tenido que aprender, lo ven por televisión, la atrocidad de los bombardeos, de las masacres, de la miseria, del horror que trae la guerra a quienes la padecen. Saben también que otros chicos como ustedes verán morir de dolor a sus padres, a sus hermanitos. Pero eso no importa al poder.

También saben que millones y millones de hombres y mujeres han manifestado por las calles del mundo su deseo de paz, su oposición a esta guerra. Y eso tampoco parece haber importado al poder.

Entonces, ante la gravedad de la situación en que vivimos, vengo a testimoniarles que habremos de permanecer en la decisión de no aceptar la guerra, de no resignarnos a ella. Hay que mantener, queridos chicos, encendida en el alma la llama de este dolor de humanidad, y ser fiel.

Si esta determinación permanece, será inquebrantable. Podrán hacer la guerra, pero han de saber que son asesinos, que así los llamarán los chicos de todo el mundo.

El amargo presente al que nos enfrentamos exige que nuestras palabras, nuestros gestos, nuestra obra se consagre, como verdadero cumplimiento de nuestra más alta vocación, a expresar la angustia, el peligro, el horror, pero también la esperanza y el coraje y la solidaridad de los hombres.

En medio de esta tremenda situación, cada hombre y cada mujer, ustedes también, chicos, están llamados a encarnar un compromiso ético, que los lleve a expresar el desgarro de miles y miles de personas, cuyas vidas están siendo reducidas a silencio a través de las armas, la violencia y la exclusión.

Se ha hecho evidente que quienes detentan el poder toman decisiones ajenas al sentir de la humanidad, guerras atroces que sostienen los países poderosos contra pueblos desamparados, bajo la siniestra ironía de resguardar a la humanidad.

Frente a estos hechos, frente a la violencia y a la muerte de nuestros hermanos, hemos de resistir para resguardar ese absoluto donde la vida y los valores ya no se canjean, alcanzando así la medida de la grandeza humana.

En todos los idiomas 'paz' es una palabra suprema y sagrada, expresa el deseo de Dios para los hombres. El deseo de un reino de paz y justicia; la paz y la justicia que estamos acá para reclamar y testimoniar.


Combate ao Leviatã


Meu texto analisando a guerra contra o Iraque, originalmente publicado em Novae, foi também publicado em La Insignia, ADITAL, América Latina em Movimiento e Rebelión.
 
   20.3.03  

Como combater o Leviatã da irracionalidade?


Acabo de publicar em Novae um artigo analisando a guerra contra o Iraque e respondendo à pergunta acima. Para ler, basta clicar aqui.


Fontes alternativas para acompanhar a guerra


Para os que não se satisfazem com a cobertura sempre parcial da mídia brasileira, indico algumas opções de leitura:

The Guardian

Periodistas 21

CNN en español

O Público
 
   19.3.03  

Contra a guerra



No momento em que os EUA, com o apoio do Reino Unido e da Espanha, iniciam mais uma desarvorada e inaceitável guerra, publico dois poemas de Anna Akhmátova (1889-1966), a poeta russa perseguida e censurada pelo stalinismo. São poemas de seu livro, O Vento da Guerra. Que eles nos façam refletir sobre o momento em que vivemos. E que eles nos façam perceber como a verdadeira poesia jamais dá as costas ao seu tempo, ainda que ele seja cunhado na dor e no sofrimento.

O primeiro projétil de longo alcance atinge Leningrado

E o multicolorido ruído da multidão
calou-se de repente.
Mas não era um som típico da cidade,
e tampouco do campo,
esse longínquo estrondo que mais parecia
ser o irmão gêmeo do trovão.
Se bem que, no trovão, há a umidade
das nuvens, altas e frescas,
e o desejo das campinas
de que venha um alegre aguaceiro.
Neste havia só um calor seco, escorchante;
mas não quisemos acreditar
nesse rumor que ouvíamos - porque
ele crescia e aumentava e se expandia,
e por causa da indiferença
com que trazia a morte a meu filho.

(setembro de 1941)

Coragem

Sabemos o que agora está em jogo
e o que está agora acontecendo.
A hora da coragem soa em nossos relógios
e a coragem não nos há de desertar.
Não tememos uma barreira de chumbo
nem é amargo ficarmos sem um teto -
desde que te preservemos, língua russa,
grande palavra russa!
Livre e pura te transmitiremos
aos nossos netos, livre do cativeiro
para sempre!

(23/2/1942)

A tradução é de Lauro Machado Coelho e o livro de Akhmátova foi publicado, no Brasil, pela L&PM.


Um perfil inesquecível


Acabo de publicar um novo artigo. Desta vez, traço um perfil de George Walker Bush e analiso como a pior das metafísicas rege, hoje, a Casa Branca. O texto pode ser encontrado no La Insignia e na ADITAL.
 
   16.3.03  

Poesia inédita


Em silêncio, o professor da PUC de Minas Gerais, Gustavo Lisboa, tem escrito poemas que merecem ser editados. Segue um pequeno exemplo aos meus leitores, do livro inédito, Azul:

É no corpo que a alma se consola
O corpo esfria, a alma se cala,
a fala estiola a palavra escondida

É no corpo que a alma se perde,
perambula pela noite adentro:
dentro perde o rumo, pendida

É no corpo que a alma se aprende:
quando o corpo não se acha,
relaxa-se a alma já fugida

É no corpo que o corpo se anima



Para os bibliófilos


Uma deliciosa livraria - a Memorial -, do meu especial e velho amigo, Leonel de Barros, merece ser visitada. Acervo de primeiríssima qualidade e atendimento de um expert.



Hemingway


Finca Vígia, a casa do escritor Ernest Hemingway em Cuba, transformada desde sua morte em museu, agora pode ser visitada pelos internautas. Basta clicar aqui.
 
   12.3.03  

Literatura chilena atual



Publiquei, na semana passada, uma resenha sobre uma nova revista literária que acaba de surgir no Chile. Publicação imperdível para os que apreciam a literatura latino-americana. meu texto pode ser lido no Digestivo Cultural. Também sobre latino-americanos, a Novae, do amigo - visionário e libertário - Manoel Fernandes, publicou um artigo sobre Augusto Monterroso.


Poesia e blog


Um novo e delicioso blog, Olhos Sobre Telas, está no ar. Pequenos e delicados poemas, peças de uma renda suave. Recomendo.


Ficção científica e erotismo


Acaba de ser lançada uma coletânea de contos eróticos de ficção científica: Como era gostosa a minha alienígena! O amigo Fábio Fernandes está entre os autores. Pedidos podem ser feitos à Comix Book Shop (Alameda Jaú, 1998, São Paulo).
 


"O homem é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem - uma corda sobre um abismo."

Friedrich Nietzsche -