27.9.02
Psicanálise em BH
O Sempre um Papo leva Renato Mezan a Belo Horizonte, para o lançamento de seu livro, Interfaces da Psicanálise, da Cia. das Letras. Também haverá um debate. Dia 21 de outubro, segunda-feira, às 19h30, no Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537).
Sonho e literatura
A Ateliê Editorial lança na segunda-feira, 30 de setembro, o livro As Portas do Sonho, de Adélia Bezerra de Meneses. Para a autora, o sonho constitui o mais antigo dos gêneros literários. Um dos objetivos da obra é apontar em que medida sonhos literários são reveladores do solo cultural onde foram engendrados. O evento será no Bar Balcão (Rua Dr. Melo Alves, 150, Cerqueira César, SP).
Rodrigo Gurgel às 07:41 -
26.9.02
Consciência política
Há alguns dias a mídia vem acompanhando a crise do grupo editorial Vivendi. Em sua edição de hoje, o Le Monde traz uma interessante matéria, anunciando a posição dos editores independentes da França ¿ como a famosa editora Le Seuil ¿ em relação ao caso. O interessante, em minha opinião, é perceber como os editores franceses têm, de forma muito clara, a percepção de que, acima de qualquer outro interesse, cabe a eles defender uma parcela fundamental da cultura francesa contra a concentração do mercado editorial nas mãos de poucos. Uma consciência política invejável.
Rebeldes Brasileiros de volta
A Editora Casa Amarela acaba de relançar o volume I da coleção Rebeldes Brasileiros que traz 24 personalidades, reunidas em 384 páginas ilustradas e impressas a cores, encadernadas em capa dura. Trata-se de uma coleção única entre nós, por biografar personagens revolucionários ou marginais da nossa história, muitos deles erroneamente desprezados pela academia ou pela historiografia oficial. Algumas das biografias: Zumbi, Chiquinha Gonzaga, Antônio Conselheiro, Bento Gonçalves, Teófilo Otoni, Chica da Silva, Graciliano Ramos, Paulo Freire, Delmiro Gouveia, Olga Benário, Anísio Teixeira, João Cândido, Cipriano Barata, Lima Barreto e Edgard Leuenroth.
O livro pode ser encontrado nas grandes revistarias e livrarias das capitais brasileiras ou ser pedido pelo telefone 0800 707 1116, ou fax (11) 3981-5152, ou e-mail: assinaturas@carosamigos.com.br.
Rodrigo Gurgel às 07:34 -
25.9.02
Contos espanhóis
Marcelo Barbão faz, no Digestivo Cultural, uma bela resenha do livro Son cuentos - Antología del relato breve español, 1975-93, organizado por Fernando Valls e publicado pela Espasa. Texto claro, límpido, informativo.
Rodrigo Gurgel às 10:54 -
Poesia e semiótica
A Ateliê Editorial e a Editora Cortêz promovem, no próximo dia 28 de setembro, sábado, das 16 às 18 hs, na Livraria Cortêz (Rua Bartira, 317, Perdizes, São Paulo), a VIII Oficina Literária, com o tema: O Processo da Criação da Poesia. Presença de Marcelino Freire, autor de EraOdito, comentando sobre poesia concreta e semiótica.
O anarquismo de Proudhon
Também no próximo dia 28 de setembro, às 16h, no Centro de Cultura Social (Rua Dr. Vila Nova, 81, Vila Buarque, São Paulo), acontece o curso As Vozes do Anarquismo: Pierre-Joseph Proudhon. O palestrante será o professor Fernando C. Prestes Motta, da Fundação Getúlio Vargas.
Para pensar
"O início da elaboração crítica é a consciência daquilo que se é realmente, isto é, um 'conhece-te a ti mesmo' como produto do processo histórico que até agora se desenrolou e que deixou em ti mesmo traços acolhidos sem benefício de inventário. É preciso fazer inicialmente este inventário." - Antonio Gramsci
Rodrigo Gurgel às 07:34 -
24.9.02
Imagística e força
A Alpharrabio Livraria e Editora abre hoje, às 19 horas, a exposição "Os Sertões: Grafismo e Caatinga", de Mariano do Amaral Neto, resultado de uma pesquisa para mestrado sobre aspectos visuais de Os Sertões, de Euclides da Cunha. ¿O texto de Euclides da Cunha construído em Os Sertões tem sobre mim o efeito grandiloqüente em imagística e força da palavra. Os meus desenhos atestam a tentativa de rastrear com humildade os efeitos lineares, pictóricos, cênicos, configurados numa obra aberta genuína. Este esforço de transposição para o desenho da obra de Euclides da Cunha é a declaração inequívoca de admiração pela obra de perene valor literário, plantado em alma brasileira por acidente metafísico e empatia universal¿, diz Mariano. A mostra fica aberta até o dia 19 de outubro na livraria (Rua Eduardo Monteiro, 151), em Santo André, São Paulo. No sábado, haverá uma palestra do expositor, a partir das 17 horas.
Vida monástica no ocidente
O ciclo de palestras "A Tradição Monástica e o Franciscanismo" será promovido pelo Programa de Estudos Medievais da UFRJ e o Instituto Teológico de Petrópolis, com o apoio da Editora Vozes, da Família Franciscana do Brasil e da Associação Brasileira de Estudos Medievais (ABREM), entre os dias 7 e 11 de outubro, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (Largo de São Francisco, nº 1, Centro, Rio de Janeiro). Mais informações, no Programa de Estudos Medievais ou no Instituto Teológico Franciscano.
Na rede
O número 18 da Revista de Sociologia e Política está disponível on-line na biblioteca eletrônica SciELO. A Revista é uma publicação da área de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Artigos, ensaios, etc
A "Campos" (revista de Antropologia Social do PPGAS/UFPR), receberá, até o dia 24 de novembro, contribuições para publicação em seu próximo número (artigos, ensaios bibliográficos e resenhas). As contribuições ou mais informações devem ser enviadas para o e-mail: campos@ufpr.br.
História da infância
O CDAPH (Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa em História da Educação) do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação da Universidade São Francisco acaba de lançar o livro "Os Intelectuais na Historia da Infância", organizado por Marcos Cezar de Freitas e Moyses Kuhlmann Jr., pela Editora Cortez, com apoio da Universidade São Francisco/CDAPH.
Rodrigo Gurgel às 07:43 -
23.9.02
O marxismo hoje
O número 61 de Cult traz Karl Marx, em foto histórica, na capa. Dentro, um longo e instigante artigo de Francisco Alambert, doutor em História pela USP e professor de Estética e História da Arte da UNESP. Além de entrevistas com João Quartim de Moraes, professor de Filosofia da Unicamp, Ruy Fausto, da Universidade de Paris 8, e o filósofo Paulo Eduardo Arantes.
No bojo do lançamento de Textos de Intervenção e Bibliografia de Antonio Candido, de Vinícius Dantas (Editora 34), Manuel da Costa Pinto entrevista o próprio Antonio Candido - "para ser franco, sempre tive mais intuição do que método" - e, também, Vinícius Dantas.
Para pensar
"O intelecto humano é forçado a escolher a perfeição na vida ou na obra." (Yeats)
"Isto não é verdade: a perfeição não é possível nem na vida, nem na obra. O máximo que se pode afirmar é que um escritor que, como qualquer ser humano, tem suas fraquezas e limitações, deveria ter consciência das mesmas e tentar mantê-las fora de sua obra." (W. H. Auden)
Rodrigo Gurgel às 07:35 -
22.9.02
Universidade do Livro
A Fundação Editora Unesp mantém, há alguns anos, a Universidade do Livro, que oferece cursos regulares para os interessados pela área editorial. No próximo mês de novembro, os cursos terão um formato especial. Será apresentado um conjunto de palestras, dividido em três módulos, possibilitando aos alunos tanto a freqüência aos módulos integrais quanto às palestras separadamente. Ou seja, os interessados poderão inscrever-se da forma que lhes for mais conveniente: nos módulos (o que lhes permitirá obter os certificados de curso, expedidos pela Pró-Reitoria de Extensão Universitária da UNESP), ou em cada palestra, se assim desejarem. Os três módulos, O livro para crianças e jovens, O livro especializado e Capas e capistas: o artista e o designer, permitirão aos interessados obter um panorama dessas áreas tanto do ponto de vista editorial, edição e produção, quanto do ponto de vista de mercado, divulgação, comercialização e distribuição. A Universidade do Livro funciona no prédio da Fundação Editora da UNESP: Praça da Sé, 108 ¿ Centro ¿ São Paulo - Tel.: (11)3242 9555. E-mail: universidadedolivro@editora.unesp.br .
A voz de Garcia Lorca
A voz do poeta foi gravada pelas rádios Splendid e Prieto, entre outubro de 1933 e março de 1934, quando Garcia Lorca se encontrava em Buenos Aires. A revelação foi feita pelo jornal ¿Ideal¿, de Granada, na Espanha. O poeta participou de muitos programas de rádio e muitas de suas conferências foram retransmitidas para toda Argentina. Os dois documentos sonoros descobertos possuem de 20 a 27 minutos, um deles, e o outro não passa de 4 minutos. Ambos estão em péssimo estado de conservação, mas podem ser recuperados.
Rodrigo Gurgel às 17:32 -
20.9.02
Os livros são para todos
Meio & Mensagem informa que as editoras brasileiras podem ser obrigadas a imprimir, em braile, 0,5% dos livros e revistas de grande circulação que publicarem. Pelo menos é isso o que determina o projeto que a senadora Heloísa Helena (PT-AL) enviou para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Pela proposta, seriam contemplados os gêneros literário, didático e acadêmico. As empresas que não editassem pelo menos 0,5% das obras nessa escrita destinada a deficientes visuais poderiam ser proibidas de comercializá-las e distribuí-las por um período de seis meses. Em caso de reincidência, esse prazo seria dobrado.Se a proposta for aprovada, as editoras terão um período de três anos para viabilizar as publicações em braile.
Lúcio Costa e os modernistas
Matéria do jornal Valor Econômico de hoje anuncia o lançamento, pela Romano Guerra Editora, em 2003, da tese defendida pelo arquiteto e historiador Abilio Guerra na Unicamp. O texto mostra de que forma a idéia que temos hoje sobre a arquitetura moderna brasileira, reverenciada no mundo todo principalmente por causa da obra de Oscar Niemeyer, é herança dos ideais de intelectuais como Oswald e Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Raul Bopp e outros. Segundo o autor, "é preciso lembrar que tanto Lúcio quanto Mário de Andrade eram funcionários públicos de carreira. Mário foi chamado para trabalhar no Rio por um ano durante o Estado Novo. E foi o grande ideólogo do Sphan. Embora o diretor fosse Rodrigo Melo Franco, foi Mário quem escreveu a carta programa da instituição, com a qual Lúcio Costa contribuiu intensamente".
Rodrigo Gurgel às 07:27 -
19.9.02
España en los diarios de mi vejez
Ernesto Sábato, o genial argentino autor de, entre outros, O Túnel, acaba de anunciar, aos 92 anos, que, em 2003, estará lançando um novo livro, "íntimo, vital", sobre suas vivências nas viagens que faz há 60 anos, cujo título será España em los diarios de mi vejez. Recentemente, a Cia. das Letras começou a reeditar, em novas traduções, a obra de Sábato. Já saíram: Antes do fim, Sobre Heróis e Tumbas e O Túnel.
Índia universal
Acaba de ser traduzido entre nós, pela Boitempo, o indiano Aijaz Ahmad, um dos mais instigantes críticos de cultura de nossos dias. Ele é professor e pesquisador do Centro de Estudos Contemporâneos do Nehru Memorial Museum and Library, em Nova Délhi, e professor colaborador do Departamento de Ciência Política da Universidade de York, no Canadá, além de ser poeta e tradutor de Kafka, Joyce e Pound para o urdu.
Segundo Maria Elisa Cevasco, "Ahmad não se preocupa em simplesmente arbitrar semelhanças e diferenças e, muito menos, em meramente divulgar o pensamento do centro para embasbacar uma audiência periférica. Seu modo de ler configura uma historicização plena, por meio da qual as teorias e práticas culturais são inseridas em seu contexto sócio-histórico amplo e aferidas em relação à totalidade do momento em que emergem e onde têm sua realização. Em tempos de fragmentação e especialização acentuadas, este é um dos diferenciais de sua obra. O autor mostra que ainda é possível, mesmo em tempos de relativismo e apatia, ser um intelectual engajado, cujos comentários fulminantes representam uma intervenção militante e esclarecedora no terreno movediço do debate cultural contemporâneo."
Vamos tirar os originais da gaveta?
A Prefeitura de Belo Horizonte, através da Secretaria Municipal de Cultura e da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, está promovendo o Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte destinado, bienalmente, a obras inéditas, de poesia, dramaturgia e conto. Cada candidato pode concorrer com até duas obras e serão dados R$ 10 mil ao primeiro colocado de cada categoria. As inscrições estão abertas até o dia 11 de outubro na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, na Rua Carangola, 288, Belo Horizonte, Minas Gerais, CEP 30330-240.
Rodrigo Gurgel às 08:19 -
18.9.02
Libertem os livros! - II
Há alguns dias publiquei aqui um post indignado, no qual manifestei minha revolta contra os diretores e professores de escolas públicas que se recusavam a entregar a seus alunos as coleções de livros doadas pelo governo federal. Várias outras pessoas têm se manifestado contra esse comportamento irracional e preconceituoso, dentre elas, uma das mais respeitáveis autoridades brasileiras no campo dos estudos sobre a literatura e o hábito da leitura, a professora Marisa Lajolo, do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp, e uma das criadoras do Projeto Memória da Leitura.
A seguir, coloco a íntegra do seu manifesto:
Dêem os livros aos estudantes!
Marisa Lajolo
marisal@uol.com.br
O MEC comprou coleções de livros para todas as crianças da quarta e quinta séries do ensino público fundamental. O nome do projeto é Literatura em minha casa. Oito milhões de coleções, para oito milhões de alunos. No cardápio, histórias, poemas, peças de teatro. Por conta de Ana Maria Machado, Ângela Lago, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, Pedro Bandeira, Ruth Rocha, Ricardo Azevedo, Vinícius de Morais e muitos outros.
Time para ninguém botar defeito, não é mesmo?
Em março deste ano as coleções foram enviadas às escolas para serem entregues aos alunos. Mas nem sempre os livros chegaram às mãos da meninada: muitas escolas estão retendo os livros.
Por quê ?
Alegam-se várias razões: que as crianças não vão cuidar dos livros, que é melhor que as coleções fiquem para a biblioteca, que vão entregar os livros no dia da criança ou no final do ano... Enquanto isso, as coleções vão ganhando a poeira das estantes, desaparecendo nos recantos de onde some material sem uso.
Pesquisas sobre leitura são unânimes em apontar a importância de que crianças desde cedo se familiarizem com livros. Mesmo correndo o risco de danificar ou de perder livros, é preciso que as crianças tenham chance de pegá-los, abri-los, desenhar neles, riscá-los, lê-los ou não: a proximidade física e afetiva entre livros e crianças é essencial para a meninada descobrir a leitura.
E é exatamente isto que o projeto Literatura em minha Casa patrocina .
Então, professoras e professores, diretores e diretoras, associações de pais, conselhos de classe, conselhos estaduais e municipais, mamães, madrinhas, titias, irmãos mais velhos... a postos! Que cada criança receba o livro que lhe foi destinado fica sendo, a partir de agora, responsabilidade também de todos nós. Vamos arregaçar as mangas?
Todas as pessoas que têm um mínimo de consciência neste país devem se manifestar e, inclusive, pressionar as escolas públicas de sua cidade, de seu bairro. Dêem os livros às crianças!
Rodrigo Gurgel às 19:19 -
Murilo Mendes
Há muitos textos inéditos do poeta Murilo Mendes, inclusive em prosa. Em 25 de julho de 1959 ele publicou um longo artigo no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, no qual fala sobre a literatura em geral: em sua opinião, sempre, necessariamente, uma parcela da estética indissociável do mundo que a vê nascer das mãos de alguns poucos. E fala também sobre poesia. Eis um trecho:
"Penso que todos os homens possuem o germe da poesia. Nem todos, porém, sabem ou podem comunicar a poesia em forma persuasiva. A missão particular do poeta consiste em desvendar o território da poesia, nomeando as coisas criadas e imaginadas, instalando-as no espaço da linguagem, conferindo-lhes uma dimensão nova.
Além de recorrer ao seu tesouro pessoal, à sua vivência, o poeta se inspira no inconsciente coletivo, rico em símbolos, imagens e mitos. Da linguagem universal extrai a sua linguagem específica. A linguagem, ao mesmo tempo que informa o poeta, revela-lhe sua fisionomia pessoal.
Resumindo, pode-se dizer que a operação poética é baseada em linguagem, afetividade e engenho construtivo. O poeta escreverá, portanto, para manifestar suas constelações próprias.
Desde muitos anos insisto em que a poesia é uma chave do conhecimento, como a ciência, a arte ou a religião; sendo portanto óbvio que atribuo um significado muito superior ao de simples confidência ou de jogo literário. Diversas são as faces da poesia, tal como se tem esta revelado através dos séculos."
Para os que apreciam o poeta, publiquei hoje, no Digestivo Cultural, um artigo comentando traços da sua rica personalidade. [Na foto acima, detalhe da mão de Murilo Mendes.]
Rodrigo Gurgel às 13:45 -
17.9.02
Um cadáver na boca
Finalmente Raoul Vaneigem foi traduzido entre nós! Seu livro, A Arte de Viver para As Novas Gerações, é mais do que um manifesto. É uma brilhante e devastadora análise daquilo que se convencionou chamar "nossa civilização". Em cada página encontramos a mais radical crítica à sociedade. Nada, nem ninguém, é poupado na primorosa narrativa do autor, para quem "aqueles que falam de revolução e luta de classes sem se referir explicitamente à vida cotidiana, sem compreender o que há de subversivo no amor e de positivo na recusa das coações, esses têm na boca um cadáver." A iniciativa é da Editora Conrad.
Rodrigo Gurgel às 01:22 -
16.9.02
Vicente Franz Cecim
"O alquimista luminoso do silêncio": esse é o título da entrevista do escritor paraense a Fabrício Carpinejar, originalmente publicada no jornal Rascunho (Curitiba, março de 2002), reproduzida na Revista Agulha e, agora, na Storm Magazine.
Leiam um trecho da entrevista:
"Essa é a primeira experiência que me revelou estranhamente o que talvez sou: lá pelos 3, 4, 5 anos, morava num casarão antigo em Belém com muitos, muitos tios, tias, primos e os meus pais e minha avó, mas fugia do tumulto feliz da grande família para ficar sozinho na rua sempre deserta ao lado, onde passava o muro imenso e compacto de um cemitério já então só habitado pelos mortos, o Cemitério da Soledade, onde ninguém mais era enterrado fazia anos. Era sempre no crepúsculo isso, e enquanto a luz ia se esvaziando na Terra que adormecia, as estrelas se esboçando no céu, e a lua branca, a que aparece para nos alucinar de dia, de olhos abertos, ia cedendo seu lugar à lua amarela, que aparece nas noites para nos alucinar de olhos fechados, e o Silêncio ia se instalando em tudo com sua presença sagrada de ausência dos sons: pois pense nos anos 50, um tempo lento e vazio das agitações modernas numa cidadezinha lenta como Santa Maria de Belém do Grão Pará: então, nesses crepúsculos melancólicos, como eu ia dizendo, as cigarras começavam a me chamar das gigantescas mangueiras enfileiradas ao longo do longo muro da Soledade: Ce cim Ce cim Ce cim. Foi a primeira vez, que me lembro, que pressenti o que eu fosse, o que eu era."
Os livros de Vicente Franz Cecim são publicados, no Brasil, pela Editora Iluminuras. Em Portugal, pela Íman.
Rodrigo Gurgel às 09:26 -
15.9.02
Storm de setembro
A Storm Magazine de setembro traz, dentre outras novidades, entrevistas com os escritores Inês Pedrosa - cujo romance, Fazes-me Falta, chega à 5ª edição, com lançamentos simultâneos na Espanha e na Alemanha -, Vicente Franz Cecim - "um xamã da narrativa brasileira" - e Jean-Christophe Rufin - ganhador do prêmio Goncourt 2001 com o romance Pau-Brasil.
Rodrigo Gurgel às 12:30 -
14.9.02
Flávio Vespasiano Di Giorgi
Meu genial e inesquecível professor de Teoria da Comunicação, na PUC-SP, Flávio Vespasiano Di Giorgi, lançou hoje, como parte das comemorações dos 50 anos do Colégio Santa Cruz, um CD, no qual ele declama 32 poemas. Flávio tem um timbre de voz excepcional, além de uma finíssima sensibilidade, qualidades que tornam o CD uma aquisição imprescindível para os que gostam de poesia. A renda conseguida com a venda do CD será revertida ao Serviço de Ajuda aos Necessitados mantido pelo Colégio Santa Cruz.
Rodrigo Gurgel às 21:10 -
Biblioteca Nacional sem fronteiras
Por iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional estão sendo transferidas para arquivo eletrônico algumas das mais relevantes obras da língua portuguesa em domínio público, disponíveis para download gratuito. Eis alguns dos gêneros: Documentos fundadores da História do Brasil, História e construção do pensamento brasileiro, Gêneros públicos, Memorialismo, além de publicações da Biblioteca e outros. O programa pretende democratizar o acesso ao acervo da Biblioteca Nacional.
Inconfidência Mineira
O livro O manto de Penélope - história, mito e memória da Inconfidência Mineira, de João P. Furtado, diretor da Faculdade de Filosofia da UFMG e membro da diretoria nacional da ANPUH, acaba de ser lançado pela Companhia das Letras.
O Brasil das últimas décadas
Para os que apreciam a história contemporânea do Brasil, há um site indispensável: o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas. As possibilidades de navegação são incríveis e a variedade do conteúdo é de um valor inestimável.
Rodrigo Gurgel às 01:05 -
13.9.02
Idéias de Antonio Candido sobre a cultura
A seguir, alguns trechos selecionados da entrevista concedida pelo professor e crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza aos jornalistas Cláudio Cerri e Rodrigo Savazoni, da campanha de Lula à presidência da República:
Cultura erudita e cultura popular
Existe uma certa demagogia que enaltece a cultura popular unilateralmente. Quase uma visão de folclore. Quem insiste muito nisso está implicitamente achando que o povo tem que ficar confinado a essa cultura de São João, cururu, etc. Enquanto isso, Shakespeare e Camões ficam para nós, a elite. Agora, há o perigo simétrico: que a cultura erudita tende a se bastar a ela própria. A ficar apenas entre os letrados. Entre os dois fica um abismo muito grande - que é maior ou menor conforme a época. Há momentos em que as duas se comunicam muito mais. No nosso tempo a separação é muito grande.
O papel do Estado
Numa sociedade em que as diferenças de classes fiquem muito reduzidas haverá um desaparecimento da cultura erudita e da popular. E surgirá uma nova cultura. Isso é possível. A função do Estado é fazer um grande esforço econômico e social para que no plano cultural o hiato diminua. De tal maneira que no fim de certo tempo, o popular se torna erudito e o erudito se torna popular.
Poetas e políticos
A cultura é um elemento da identidade de um povo. É a expressão suprema de uma coletividade. Tanto assim que você esquece mais facilmente os grandes políticos do que os grandes artistas. Se você perguntar a um colegial quem era o homem mais importante da Grécia, ele vai te dizer ¿Homero¿, dificilmente dirá Licurgo, Péricles. Vai dizer Homero. Enfim, um poeta, não um governante. Ninguém esquece Castro Alves, Dante Alighieri, Shakespeare, etc. É a prova prática de que as grandes criações da cultura espiritual exprimem o que há de mais profundo no povo. A cultura é a manifestação de uma coletividade, não há coletividade sem ela.
O patrocínio da cultura
É importante você permitir que haja patrocínio de atividades culturais. Mas o Estado não pode renunciar à sua iniciativa e confiar tudo ao setor privado. Numa sociedade de classes como a nossa, o Estado é, ou deveria ser, o representante do povo. Qual é o nosso ideal no PT? Que o Estado se torne aquilo que ele não é: o defensor do povo. Se eu transfiro a responsabilidade cultural ao mercado, estou renunciando a esse papel de indutor da cultura. Repito: é bom que se tenha incentivos para que todos possam fomentar cultura e não haja monopólio de espécie alguma, mas desde que o governo não perca a iniciativa. Empresas e bancos representam interesses de grupos, e o Estado representa o interesse de toda a sociedade.
Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.
Rodrigo Gurgel às 01:34 -
12.9.02
11 de setembro de 1973
A mídia tem, exaustivamente, comentado, nos últimos dias, sobre o 11 de setembro de 2001, quando os EUA foram vítimas de um dos mais terríveis atentados terroristas que o mundo já conheceu. Contudo, a memória da mídia é muito curta e devemos nos recordar, também, do 11 de setembro de 1973, quando, no papel de vilão, os EUA ajudaram a derrubar o governo, democraticamente eleito, de Salvador Allende, no Chile.
O La Insignia preparou, para que não nos esqueçamos dos horrores da História, uma edição especial, com textos de Pablo Neruda, Mario Benedetti, Gabriel García Márquez, Eduardo Galeano e Beatriz Allende. [Na foto acima, momento em que a sede do governo chileno, o Palácio de La Moneda, era bombardeada por forças militares chilenas e norte-americanas.]
Rodrigo Gurgel às 01:26 -
Loyola Brandão em BH
No próximo dia 24, 3ª feira, às 19h30, o escritor Ignácio de Loyola Brandão estará em mais um evento do Sempre Um Papo, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, lançando seu novo livro - O Anônimo Célebre, Global Editora - e debatendo com os presentes.
Rodrigo Gurgel às 01:00 -
11.9.02
Euclides da Cunha
Leio na coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo de hoje, que o professor Leopoldo Bernucci deve lançar, até o final do ano, um livro reunindo as principais críticas produzidas, até hoje, sobre Os Sertões, de Euclides da Cunha.
Leopoldo Bernucci é o responsável pela edição e pelo prefácio de uma belíssima reedição de Os Sertões, recheada com cronologia, notas e índices, e publicada este ano, em comemoração ao centenário dessa obra fundamental da literatura brasileira, pela Ateliê Editorial, Arquivo do Estado e Imprensa Oficial.
Para os que se interessam pelo tema, recentemente publiquei, no Digestivo Cultural, um artigo sobre Euclides da Cunha.
Rodrigo Gurgel às 15:48 -
A ideologias realmente faliram?
No próximo dia 16 de setembro, às 19h30, Edgar Morin, Michel Maffesoli e Denis Tillinac estarão reunidos no auditório da Fundação Cásper Líbero, Avenida Paulista, 900, São Paulo, para debaterem sobre o tema A Falência das Ideologias e as Novas Formas de Política.
As inscrições para o debate devem ser feitas antecipadamente no site da Fundação.
Mais informações nos telefones (011) 3170-5910 / 289-4204.
Rodrigo Gurgel às 15:25 -
Para pensar...
"A obra do escritor, por mais inteligente, elaborado, ou pródigo e vigoroso em imaginação, sempre termina por constituir uma justificação de um determinado conjunto de valores, uma condenação de algo em favor de alguma outra coisa."
Edmund Wilson, em Os Anos 20, Cia. das Letras
Rodrigo Gurgel às 00:57 -
10.9.02
Saneamento ideológico
A edição deste último sábado, 07 de setembro, do Clarín, de Buenos Aires, traz uma importante resenha, analisando mais uma contribuição dos intelectuais argentinos ao trabalho de descortinar as práticas coercitivas dos militares durante o período ditatorial. O texto comenta o livro Argentina: cómo matar la cultura, e, especificamente, o capítulo intitulado Un golpe a los libros, onde se analisa a forma como atuava o terrorismo do Estado no campo cultural. Contudo, é sempre bom lembrar, o "genocídio cultural", de que nos falava Cortázar, não é uma prática exclusiva dos militares argentinos. Em Livros Proibidos, Idéias Malditas, publicado pela Ateliê Editorial e Fapesp, a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro mostra como a censura, assim como a violência física e simbólica, fizeram parte dos projetos políticos articulados em diferentes momentos da história brasileira. [Acima, a foto do Clarín mostra a destruição de livros na Argentina, durante a ditadura.]
Rodrigo Gurgel às 12:34 -
Quando a vida pulsa
O universo dos blogs comporta, inclusive, ficção e crônica. Do que tenho lido ultimamente, há dois deles, muito interessantes, voltados a esses gêneros. O primeiro, Hotel Hell, é composto de textos pontilhados do melhor humor negro, ácidos, sujos e, ao mesmo tempo, muito bem humorados. Algumas metáforas são lancinantes. Outras, apesar do sarcasmo que as rodeia, conseguem ser líricas. O segundo é o Prosa Caótica. Num estilo completamente diferente do anterior, os textos são intimistas, cravejados das dúvidas quase pueris do nosso dia-a-dia, mas que ganham um caráter poético quando circundadas de uma certa melancolia existencialista e de imagens inusitadas. Propostas diferentes, opostas, antagônicas, mas pungentes. Há vida pulsando nesses dois blogs.
Rodrigo Gurgel às 00:10 -
9.9.02
Libertem os livros!
O jornalista Elio Gaspari, da Folha de S. Paulo, alerta seus leitores, em sua coluna deste último domingo, sobre mais um desses absurdos tão comuns entre nós. O MEC enviou 60 milhões de livros para 8,5 milhões de alunos em 139 mil escolas públicas. Cada aluno teria direito a uma coleção de 5 livros. Contudo, até o momento, de cada três coleções, uma não foi entregue. A razão? Muitos diretores e professores acham um desperdício entregar livros tão bonitos a alunos tão mal formados... A decisão revela diretores e professores obtusos, desqualificados para o ensino e para o preparo das novas gerações, cegos à realidade que este país enfrenta.
Rodrigo Gurgel às 14:32 -
Homens ou animais?
Citar Proust é, sempre, uma temeridade, pois cada mínima passagem está carregada de um vertiginoso poder de evocação. As imagens sucedem-se, formando uma aspiral ascendente de volúpia que leva o leitor a êxtases consecutivos, chegando a um paroxismo de literariedade. Contudo, é uma das melhores formas de se começar a semana:
"O particular pendor que sempre tivera de descobrir analogias entre os seres vivos e os retratos dos museus novamente se exercia de modo mais constante e geral; era toda a vida mundana, agora que Swann se achava desligado dela, que se lhe apresentava como uma série de quadros. No vestíbulo onde, quando era um mundano, entrava envolto na sua capa, para sair de fraque, mas sem saber o que ali se passara, pois se achava, em pensamento, nos poucos instantes em que o atravessava, ou ainda na festa de que vinha, ou já na festa aonde iria, Swann notou pela primeira vez, alertada com a imprevista chegada de um conviva tão tardio, a mantilha esparsa, magnífica e ociosa dos grandes lacaios que cochilavam aqui e ali sobre banquetas e arcas e que, erguendo seus nobres e agudos perfis de lebréus, levantaram-se e, reunidos, formaram círculo em seu redor.
Um deles, de aspecto particularmente feroz, e assaz semelhante ao executor em certos quadros da Renascença que representam suplícios, avançou para ele com um ar implacável, para lhe apanhar os pertences. Mas a dureza de seu olhar de aço era compensada pela suavidade de suas luvas de algodão, de modo que, ao aproximar-se de Swann, parecia testemunhar desprezo por sua pessoa e consideração para com seu chapéu. Tomou-o com um cuidado a que a exatidão do movimento emprestava algo de meticuloso e uma delicadeza que tornava quase tocante a aparelhagem da sua força. Passou-o depois a um de seus auxiliares, novo e tímido, que expressava seu terror revirando em todos os sentidos uns olhos selvagens e mostrava a agitação de um animal cativo nas primeiras horas de sua domesticidade." (Em Busca do Tempo Perdido. Vol. I: No caminho de Swann)
O clima que o autor cria nestas linhas é a própria tensão presente na vida social, essa pulsão que um marxista poderia chamar de "uma luta de classes adormecida". Os empregados, descritos como animais que guardam, no fundo de suas pupilas, um ódio surdo pela sua condição de servos, comportam-se sobre uma linha muito tênue, traçada entre o servir e o revoltar-se.
Rodrigo Gurgel às 10:31 -
8.9.02
O mestre que todos gostariam de ter
A seguir, alguns poucos trechos da entrevista de George Steiner, publicada na edição de 04 de setembro último, no jornal Clarín, de Buenos Aires:
Ciência e ficção
Não é possível entender nada essencial sobre o mundo moderno sem ao menos farejar o que significa dedicar-se seriamente às ciências. Mas é muito mais fácil escrever a milionésima novela sobre adultério em Londres do que tentar compreender. Há, agora, três grandes fronteiras: a criação da vida em condições de laboratório; o entendimento da consciência, neurofisiológicamente falando-se; e a teoria "sobre o todo", de Stephen Hawking.
Shakespeare
Entrevistavam o general De Gaulle e lhe perguntaram: - Senhor presidente, quais são os três maiores escritores europeus?. Ele respondeu: - Obviamente, Goethe, Dante, Chateaubriand. O repórter quase desmaia de surpresa: - Não mencionou Shakespeare. - Você disse europeu, respondeu De Gaulle. Com certeza, há na genialidade universal de Shakespeare algo profundamente inglês. É claro que nada se compara a Shakespeare. E, sem dúvida, ele carece de uma dimensão filosófica ou sociológica. Não temos a menor idéia sobre no que ele acreditava. Nada, nada. Em sua negativa de manifestar alguma crença, encontro algo inumano. Não só supra-humano, mas inumano.
Leituras
Não passo uma semana sem ler Dante, ou Proust, certas parábolas de Kafka, os poemas de Hölderlin e Paul Celan.
As palavras estão gastas
As palavras estão gastas devido aos meios de comunicação, ao kitsch e à barbárie em que vivemos imersos. Muitos poucos são capazes de criar novas expressões. Shakespeare criou milhares. Proust o fez com a gramática francesa. Talvez tenha sido uma das últimas vezes em que se criou um mundo baseado em novas formas gramaticais.
Há duas obras de Steiner disponíveis em português: Nenhuma paixão desperdiçada, pela Record, e Antígones, pela Relógio D'Água, de Portugal.
Rodrigo Gurgel às 16:16 -
7.9.02
Aguardo com impaciência...
"A história da humanidade não me satisfaz; a humanidade não me satisfaz; estou cansado do velho repertório; já conheço todas as peças novas de antemão; vão ser os mesmos velhos cenários e os mesmos personagens de sempre. Esbarro nas pessoas, na geografia, nos eventos, como se fossem as grades de uma gaiola. - O amor, em particular, é simples demais; o tempo que ocupa é excessivo para um ato físico tão simples; é terrível pensar no que se gasta, em termos de pensamento e energia, em ajustes amorosos. - Aguardo com impaciência o dia em que, controlando a gravidade tal como agora controla a eletricidade, o homem, atrelando os mundos, os arrastará pelos céus afora, tornando-se mestre do sistema solar, e por fim de todo o universo. Não se produzirão mais livros nem obras de arte, porque todo homem será sábio e artista. Este homem compreenderá tudo e não precisará de documentos científicos; e, enquanto voa, naturalmente e sem massacrar seu cérebro, há de cantarolar canções em comparação com as quais a poesia de Dante e a música de Beethoven parecerão meros gaguejos de bárbaros."
Edmund Wilson, em Os Anos 20
Rodrigo Gurgel às 01:49 -
6.9.02
Homenagem ao poeta Geir Campos
A Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro acaba de publicar A Profissão do Poeta & Carta aos Livreiros do Brasil, livro que reúne 13 pequenos ensaios e depoimentos sobre a personalidade e a poesia de Geir Campos, poeta da controvertida Geração de 45. Há, também, uma pequeno antologia e um capítulo dedicado a textos inéditos. O capítulo central do livro, no entanto, é o ensaio Carta aos Livreiros do Brasil, no qual o poeta faz uma análise acurada de todas as facetas do mercado editorial brasileiro.
Para Geir Campos, "é quando o leitor põe o pé na porta de uma livraria que começam a fundir-se todos os problemas, sociais e econômicos, culturais e políticos, que cercam a produção e a circulação do livro em nosso País."
O livro foi organizado - com carinho e cuidado extremos - pelo historiador e professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, Aníbal Bragança, e pela pesquisadora da Fundação Biblioteca Nacional, Maria Lizete dos Santos. Pedidos podem ser feitos para anibalbraganca@terra.com.br .
Finalmente, um recado às editoras: passa da hora de reeditarmos o Pequeno Dicionário de Arte Poética, de Geir Campos, cuja última edição data de 1978, pela Cultrix. Apesar de "pequeno", trata-se de um livro indispensável para se estudar poesia.
Rodrigo Gurgel às 15:34 -
Um título, um equívoco
O artigo de Hernani Dimantas, em Novae, critica a tradução do título do livro Gonzo Marketing - Winning through worst practices, publicado no Brasil pela Campus. Segundo Dimantas, "esse título é um equívoco", trata-se de uma "mutação tupiniquim" e faz "de uma teoria de marketing uma conversa de doidos". Com a palavra, a Campus...
Rodrigo Gurgel às 14:22 -
A poesia pode ensinar ética aos homens?
Essa é uma questão que, creio, toca uma outra, igualmente central: qual a finalidade da poesia? Ora, toda a produção humana deve ter uma única finalidade: tornar-nos melhores do que somos. E para alcançar tal fim, não pode haver melhor caminho do que o da fruição poética.
Francisco Brines, poeta espanhol, tem reflexões extremamente sugestivas sobre essa questão. Eis dois trechos de sua recente entrevista, concedida ao jornal El País e publicada na edição de 31 de agosto:
"A poesia permite-nos concordarmos com o que não somos; e essa é a sua moral, a moral da tolerância. Qualquer um que se acredite apenas uma porção de humanidade sabe que um poderia ter sido outro qualquer. Quando lemos poesia, se está bem feita, assentimos com o fato estético, algo que está acima da moral dos conteúdos. Essa é a ética da poesia. Ainda que não nos identifiquemos com ele, toleramos o outro, porque sua verdade nos emocionou. Por essa razão a poesia mística nos emociona, sem necessidade de sermos religiosos; ou um poema de conteúdo homossexual, sem a necessidade de sermos homossexuais. Nos bons poemas vemos o que há de humanidade salvável."
"Claro que a poesia é útil. Faz a vida melhor, afina a sensibilidade e o espírito crítico, ensina a olhar. (...) O homem quer ser mais pleno, mais feliz, mais consciente, mais intenso, entender melhor a dor. Para isso serve a poesia."
Rodrigo Gurgel às 00:28 -
5.9.02
O que é a vida sem a cultura?
"Sem cultura a vida é uma imensa chapa de cimento em cima da cabeça, um sufocante invólucro de algodão, um tanque cheio de excrementos. Por isso, não vão na conversa de quem acha que a Cultura (e as culturas) são apenas um adereço, algo perfeitamente dispensável nas muy doutas contas do Orçamento de Estado. Só nos países do quinto mundo é que tal acontece; porque são países destituídos e explorados, aniquilados pelo o que de pior existe." (Do editorial de Helena Vasconcelos, diretora da Storm magazine, em sua edição de agosto)
Livro relembra marco da violência policial
O Massacre do Carandiru completa 10 anos em 2 de outubro próximo. No livro Sobrevivente André du Rap, da Labortexto Editorial, escrito em parceria com Bruno Zeni, José André de Araújo, o André du Rap, narra o desenrolar do massacre (ele sobreviveu, pois se escondeu sob os corpos dos companheiros mortos), descreve o cotidiano no maior presídio da América Latina e reafirma a vigência da tortura no sistema penitenciário brasileiro. O lançamento será dia 10 de setembro, terça-feira, às 20h, no Bar Canto Madalena, em São Paulo.
Autor de O Anjo Pornográfico fala na Esquina da Palavra
Ruy Castro é um dos mais importantes pesquisadores, biógrafos e jornalistas de cultura do país. Premiado várias vezes, é autor de Chega de Saudade e O Anjo Pornográfico: a Vida de Nelson Rogrigues, entre outros. Ele fala sobre sua vida e sua obra no próximo dia 10, às 19h30, no Instituto Cultural Itaú, na Avenida Paulista, São Paulo. Atenção: o local não é muito grande e há distribuição de senhas uma hora antes do início do evento. Para os que não puderem ir, o encontro será transmitido, por áudio, via Internet, como um programa de rádio.
USP oferece Seminário Internacional sobre Filosofia, Educação e Arte
Com organização do Prof. Dr. Jean Lauand, o seminário acontece nos dias 9, 10 e 11 de setembro, às 20h, no auditório da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP. Inscrições gratuitas, enviando e-mail para apoioacad@fe.usp.br, indicando, no assunto, "Seminário Filosofia", e, no corpo do e-mail, nome e RG.
Rodrigo Gurgel às 11:33 -
4.9.02
É possível ensinar como ser um autor?
A resposta talvez esteja no curso oferecido pela Editora STS: Guia do Autor: Curso de Produção e Marketing Editorial Para Autores. Mais informações: cursos@editorasts.com.br.
Rodrigo Gurgel às 13:49 -
Pierre Lévy e o analfabetismo
Inclusão digital, democratização da sociedade e analfabetismo: estes são alguns dos temas presentes na entrevista de Lévy, publicada em Nova Economia. Para o filósofo francês, "o principal obstáculo à participação não é a falta de computador, mas sim o analfabetismo e a falta de recursos culturais".
Rodrigo Gurgel às 13:39 -
Analfabetismo funcional
Mônica Bergamo informou ontem, em sua coluna na Folha de S. Paulo, que o Instituto Paulo Montenegro desenvolve, atualmente, uma pesquisa para avaliar a habilidade de cálculo dos brasileiros.
No ano passado, o mesmo instituto apresentou os resultados de sua pesquisa - realizada com o Ibope - sobre o analfabetismo funcional no Brasil. Os resultados, apesar de já serem bem conhecidos, precisam ser lembrados:
1. 9% da população brasileira, na faixa de 15 a 64 anos, encontra-se na situação de analfabetismo.
2. As pessoas alfabetizadas, por sua vez, foram classificadas em três níveis:
- 31% da população estudada foi classificada no nível 1 de alfabetismo (consegue retirar uma informação explícita apenas em textos muito curtos);
- 34% no nível 2 (consegue também localizar uma informação não explícita em textos de maior extensão);
- 26% no nível 3 de alfabetismo (é capaz de ler textos mais longos, localizar mais de uma informação e estabelecer relações entre diversos elementos do texto).
Outros dados importantes:
- 37% dos brasileiros não lêem nada no trabalho;
- 41% deles não escrevem nada;
- As mulheres obtiveram melhor desempenho no teste aplicado, com uma média de 11,4 de acertos contra uma média de 10,3 de acertos masculinos.
Para os que quiserem, o Instituto oferece o download da pesquisa.
Rodrigo Gurgel às 11:02 -
Ambrose Bierce
Para os que apreciam o escritor norte-americano, o "gringo viejo" de Carlos Fuentes, autor, dentre outros, do Dicionário do Diabo, falo sobre ele em meu artigo de hoje no Digestivo Cultural. Espero que todos gostem!...
Rodrigo Gurgel às 09:48 -
2.9.02
Lembrando Houaiss
O escritor angolano José Eduardo Agualusa fala, em NON!, de como se apaixonou, na infância, pelo hábito da leitura e aproveita para prestar uma merecida homenagem a Antônio Houaiss. Vale a pena ler.
Iniciativa portuguesa em favor da leitura
Storm Magazine apresenta a sugestiva experiência desenvolvida pelo Instituto Português dos Livros e das Bibliotecas: as Comunidades de Leitores. Pessoas se reúnem com a disposição de realizar "leituras ativas que impliquem uma reflexão, um exercício, uma ação de intervenção provocatória, viva, atuante. A evitar: uma atitude passiva e contemplativa perante os textos".
Num único projeto concilia-se o incentivo à leitura e ao convívio social. Uma idéia para disseminarmos entre nós.
Rodrigo Gurgel às 10:58 -
1.9.02
Volodia Teitelboim ganha maior prêmio literário do Chile
O escritor e ensaísta chileno Volodia Teitelboim, de 86 anos, ganhou, na semana passada, o Prêmio Nacional de Literatura do Chile. Para a Fundação Pablo Neruda, que apoiou a candidatura do escritor, Volodia "é um dos autores mais relevantes das letras chilenas e americanas do século XXI". A obra de Volodia Teitelboim abarca a crônica, a biografia, o ensaio, a novela e, também, a memorialística.
Dois trechos da entrevista publicada no La Insignia mostram um pouco da personalidade desse escritor:
"Pienso que las utopías no se derrumban ni mueren jamás. Lo que muere son las formas de concebir la realización de un proyecto social cuando no están a la altura de su contenido material, espiritual y humano".
"Mis grandes propósitos en la vida fueron dos: ser escritor y adquirir una conciencia ciudadana en el sentido de que el hombre no se termina en sí mismo, como dice Neruda, si no que es parte de un mundo injusto que necesita cambios. A estas alturas siento la felicidad de haber estado al servicio de un sueño colectivo y milenario que se expresa en la idea de que la tierra es todavía - para la inmensa mayoría - un valle de lágrimas".
Em português, só consegui localizar, do autor, a obra Os Dois Borges, editada pela Campo das Letras, de Portugal.
Rodrigo Gurgel às 15:52 -
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