26.2.04
Despedida
Quero agradecer a todos os que passaram por este blog desde janeiro de 2002, quando comecei a escrevê-lo. A partir desta data, os amigos, os leitores - fiéis ou ocasionais - e os visitantes esporádicos me encontrarão em meu novo endereço.
Grande abraço a todos!
20.11.03
Plínio Marcos redivivo
O irreverente, genial e impagável Plínio Marcos está de volta. Em um belíssimo trabalho de recuperação biblio e iconográfica, os filhos do inesquecível dramaturgo oferecem, na internet, um guia muito bem estruturado para todos os que desejarem conhecer a vida e a obra do autor de Navalha na carne.
13.11.03
Três tigres
Três blogs, três universos, três tigres nada tristes:
Carolina Borges e seu Ciberutopias:
O caos não é o oposto da ordem, o caos nada mais é do que a nossa incapacidade de apreender as ordens singulares e plurais que existem em cada processo, e aí a gente acha que isso é caos e que deve ser negado.
Paulo Avelino e suas Histórias com começo, meio e fim:
No blogue se zapeia: qualquer pedra no caminho, qualquer associação de idéias e já se está noutro texto ou imagem ou blogue ou sítio. A linearidade, radical na literatura, é substituída por uma quase simultaneidade. A atitude de quem lê um blogue está mais para quem vê um cartaz de propaganda que para quem lê o Henrique VI de Shakespeare.
Finalmente, no Almocreve das Petas, Masson presta uma justa homenagem ao ensaísta argentino Ezequiel Martínez Estrada, infelizmente desconhecido pelas editoras brasileiras:
Para encontrar la salida a las tragedias argentinas, deberíamos conocer el mapa de la cárcel donde estamos confinados. Si lo tuviéramos, podríamos matar al gendarme. Pero no hay mapas. Quizá ni siquiera hay gendarmes. Todo lo que nos queda es sentarnos a la puerta de nuestra celda y ponernos a llorar.
12.11.03
La forja de un escritor
A página de livros do jornal La Vanguardia é excelente. Destaque para o primeiro artigo - de uma série de três - dedicado a Norman Mailer, escrito por Enric Castelló.
7.11.03
Sylvia e Sophia
A edição deste mês da revista Storm é dedicada às mulheres: as poesias e as vidas de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Sylvia Plath são os destaques. Os artigos de João Ribeirete e Helena Vasconcelos merecem ser lidos com carinho e atenção.
6.11.03
Ladislau Dowbor
A inteligência e a argúcia de Ladislau Dowbor estão disponíveis, agora, em Novae. Uma parceria que passa a oferecer frutos inusitados aos internautas de língua portuguesa.
5.11.03
Adriana Lisboa
A escritora brasileira Adriana Lisboa recebeu, no último 28 de outubro, o prêmio literário José Saramago, que lhe foi entregue pelo próprio escritor. O último romance de Adriana é Sinfonia em branco, publicado pela Rocco. A autora fala de seu trabalho: "Tenho um texto um pouco diferente do que faz sucesso no Brasil atualmente (velocidade, violência sem dourar pílulas, tramas urbanas, diálogos ágeis, muita ação). Sempre procurei um texto mais poético e a história a ser narrada fica em segundo plano diante da maneira de narrar. Tenho um grande prazer em escrever, como se estivesse estudando caligrafia."
Mapa de Portugal
Um exaustivo guia sobre a comunicação em Portugal podemos encontrar no Mapa da comunicação. Site interessante, ainda em construção, organizado pelo Labcom da Universidade da Beira Interior.
31.10.03
Novas vozes em O Arauto
A web oferece, a cada dia, novas promessas de espaços planejados e feitos com conteúdo crítico de qualidade. É o caso de O Arauto, projeto comandado pelos editores Denis Martins, Paulo Barreiros e Daniel Guimarães, cujo objetivo é "fazer literatura de qualidade - se é que há definição precisa para semelhante conceito; expandir tal universo cultural ao âmbito pessoal dos que porventura se interessem; ser, em suma, uma fonte de cultura gratuita e completa na qual, ao mesmo tempo, se possa desfrutar dos prazeres de um bom texto e conhecer as novidades que circundam o mundo das artes, idéias e intelectuais - mesmo que os de botequim".
Um bom exemplo do que se pode encontrar em O Arauto é o texto Meio-termo, o vício dos tempos, de Denis Martins, do qual retirei o instigante trecho abaixo:
A certeza de que o meio-termo é parte intrínseca e latente do homem vem com a constatação do enorme desapego humano à grandiosidade do que o rodeia. Somos todos um pouco meio-termos por receber com indiferença notícias da pequenez humana diante do Cosmos. A incrível capacidade humana de relegar reduz fenômenos físicos dodecassílabos e o espaço-tempo se curvando sobre tantas outras dimensões a pontinhos luminosos e "coisas de cientista", sem falar na fome, miséria, no desamparo do próximo.
29.10.03
El amor de la mano recelosa
Um boa coletânea de poemas da literatura argentina pode ser encontrada no site do qual retirei este poema de Jorge Luis Borges:
A un gato
No son más silenciosos los espejos
ni más furtiva el alba aventurera;
eres, bajo la luna, esa pantera
que nos es dado divisar de lejos.
Por obra indescifrable de un decreto
divino, te buscamos vanamente;
más remoto que el Ganges y el poniente,
tuya es la soledad, tuyo el secreto.
Tu lomo condesciende a la morosa
caricia de mi mano. Has admitido,
desde esa eternidad que ya es olvido,
el amor de la mano recelosa.
En otro tiempo estás. Eres el dueño
de un ámbito cerrado como un sueño.
28.10.03
Cuando de pronto te pusiste fría...
Um dos mais completos escritores argentinos é, sem dúvida, Leopoldo Lugones, praticamente desconhecido no Brasil. A seguir, um de seus poemas:
Historia de mi muerte
Soñé la muerte y era muy sencillo;
una hebra de seda me envolvía,
y a cada beso tuyo,
con una vuelta menos me ceñía
y cada beso tuyo
era un día;
y el tiempo que mediaba entre dos besos
una noche. La muerte era muy sencilla.
Y poco a poco fue desenvolviéndose
la hebra fatal. Ya no la retenía
sino por solo un cabo entre los dedos...
Cuando de pronto te pusiste fría
y ya no me besaste...
y solté el cabo, y se me fue la vida.
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